As caravanas da lua. Pela rota do incenso em Busca da Rainha de Sabah
Escuta a queixa do vento, que triste de soprar sobre o vazio te diz associando com sua voz clara e límpida: "Ouça bem minha melodia, é a grande voz do deserto! Ouça mais um pouco, e as areias arrepiadas por ele te contarão uma fábula, a história da Rainha das Caravanas!", me disse um velho beduíno. A Rainha de Sabah está impressa de forma indelével no imaginário universal. Sua beleza e inteligência habitam não apenas fábulas e narrativas populares, mas também a criação literária, sobretudo a poética. Mas como teria nascido o mito da Rainha de Sabah? Teria ela existido realmente? Em As caravanas da lua: Pela rota do incenso em busca da Rainha de Sabah, a arqueóloga e museóloga carioca Fernanda de Camargo-Moro une fatos, lendas e culinária para compor o mosaico de uma das personagens mais enigmáticas da história. Rainha de um país de mil residentes, a trajetória da soberana está intimamente ligada à rota do incenso e dos aromas. De tal forma arraigada, que é preciso penetrar nesses caminhos sinuosos desérticos para se aproximar dela. "A história das rotas carece da Rainha para explicar a expansão de seu encantamento", explica a autora. É esse o mapa seguido por Fernanda de Camargo-Moro em sua busca pela verdadeira face do governante. E pela mulher por trás do mito. As caravanas da lua analisam essa criatura multifacetada e seus muitos aspectos. O imenso lendário ora a faz aparecer com poderes de necromancia, uma outra interpretação da deusa Hécate, a Mágica, ora como filha dos djinns, isto é, dos demônios, metade mulher, metade animal. Bela e sábia nas narrativas do mundo árabe, ou deformada por um pé de cabra ou com a perna peluda em uma lenda etíope, a Rainha de Sabah também surge mais tarde como uma imagem da Sabedoria. Outros como amante do sábio bíblico rei Salomão. Se existiu ou foi inventada, a Rainha de Sabah sobreviveu ao tempo e o fascínio desta personagem permanece até hoje um grande mistério. Do mesmo modo é a sua história, comum às três grandes [...]

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